Depois de oito trimestres seguidos de crescimento, os maiores bancos privados listados na B3 registraram queda no lucro no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento da Elos Ayta, o lucro combinado de Itaú, Bradesco, BTG Pactual e Santander Brasil somou R$ 25,3 bilhões, recuo de 5,8% em relação ao trimestre anterior.
A queda marca a primeira retração trimestral desde o quarto trimestre de 2023. Também foi o maior recuo desde aquele período, quando o lucro consolidado havia caído 9,78%.
Mesmo com a piora, a rentabilidade dos grandes bancos segue em patamar elevado. O resultado, porém, mostra uma concentração maior dos ganhos em instituições com operação mais eficiente e modelo de negócios mais diversificado.
Itaú e BTG concentram 65% do lucro dos grandes bancos
O Itaú Unibanco manteve a liderança entre os bancos privados. A instituição encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 11,938 bilhões, repetindo o resultado do trimestre anterior.
O BTG Pactual foi o único dos quatro grandes bancos privados a crescer na comparação trimestral. O lucro passou de R$ 4,391 bilhões para R$ 4,570 bilhões, alta de 4,08%.
Juntos, Itaú e BTG responderam por 65,3% do lucro consolidado do grupo formado por Itaú, Bradesco, BTG e Santander.
Bradesco e Santander puxam queda no trimestre
O Bradesco teve a maior retração entre os bancos privados analisados. O lucro líquido caiu de R$ 6,476 bilhões no quarto trimestre de 2025 para R$ 5,030 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 22,3%.
O Santander Brasil também registrou recuo. O banco lucrou R$ 3,725 bilhões, baixa de 7,4% frente aos R$ 4,023 bilhões do trimestre anterior.
A diferença entre os resultados reforça a distância operacional entre os bancos que conseguiram preservar rentabilidade e aqueles mais pressionados no início do ano.
Banco do Brasil aumenta a pressão sobre o setor
Quando o Banco do Brasil entra na conta, o lucro consolidado dos cinco maiores bancos listados na B3 cai ainda mais.
O grupo formado por Itaú, Bradesco, BTG, Santander e Banco do Brasil somou R$ 28,353 bilhões em lucro no primeiro trimestre, baixa de 10,8% em relação aos R$ 31,800 bilhões do quarto trimestre de 2025.
O Banco do Brasil lucrou R$ 3,090 bilhões no período, queda de 37,9% frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, o recuo chegou a 54,4%.
Resultado mostra bancos mais concentrados em eficiência
A queda no lucro combinado não significa perda estrutural de força do sistema bancário, mas mostra um ambiente mais seletivo.
Itaú e BTG seguiram resilientes, enquanto Bradesco, Santander e Banco do Brasil tiveram maior pressão nos resultados. Para a Elos Ayta, o trimestre reforça a concentração de ganhos em bancos com maior eficiência operacional e fontes mais diversificadas de receita.
