O Mercado Livre anunciou, nesta terça-feira (31), o lançamento de um projeto piloto em São Paulo para a venda e entrega de medicamentos. A iniciativa promete um tempo médio de entrega de até três horas, marcando a entrada estratégica da gigante do e-commerce no setor farmacêutico após a aquisição da Farmácia Cuidamos, realizada no ano passado.
Nesta fase inicial, a operação está restrita a bairros específicos da capital paulista, como Vila Mariana, Paraíso e Itaim. O catálogo disponível contempla exclusivamente medicamentos de venda livre (isentos de prescrição médica), abrangendo categorias como analgésicos, antitérmicos, antiácidos, digestivos e complexos vitamínicos.
Segundo Tulio Landin, diretor sênior de marketplace do Mercado Livre no Brasil, a oferta em escala reduzida servirá para testar a logística e a aceitação do público. O executivo afirmou que a companhia avalia expandir o serviço para um modelo de marketplace nacional, o que permitiria que farmácias de diferentes portes comercializassem seus produtos diretamente pela plataforma para consumidores de todo o país.
Diferente de outros setores onde o Mercado Livre atua apenas como intermediário, a venda direta de medicamentos exige licenças sanitárias rigorosas da Anvisa. Através da Farmácia Cuidamos (localizada no Jabaquara, zona sul de SP), a empresa opera como uma farmácia própria. Isso permite que eles dominem os requisitos sanitários, a logística de temperatura controlada e a validação de receitas digitais.
O objetivo final é transformar a plataforma em um shopping de farmácias, onde redes de todos os portes possam vender. Atualmente, a Resolução RDC 44/2009 da Anvisa impõe barreiras ao modelo de marketplace puro para remédios, e o Mercado Livre usa este piloto para demonstrar segurança e pressionar por atualizações regulatórias.
Para 2026, o Mercado Livre anunciou um plano de investimentos recorde de R$ 57 bilhões no Brasil, e a vertical de saúde é uma das prioridades para diversificar a receita além dos eletrônicos e moda.









