A Minha Quitandinha quer transformar um modelo que ganhou força nos condomínios em uma rede de conveniência presente em diferentes espaços de circulação. Criada em 2020, a startup catarinense de minimercados autônomos chegou a 850 unidades e tem como meta superar mil lojas ainda em 2026.
O avanço vem acompanhado de crescimento financeiro. A rede faturou R$ 100 milhões em 2025, alta de 186% em relação ao ano anterior, e projeta alcançar R$ 170 milhões em 2026.
Até o fim do ano, o plano é abrir mais 300 unidades. A diferença, agora, está no perfil dos novos pontos. Metade dos contratos recentes já vem de ambientes fora dos condomínios, como empresas, universidades, hotéis, hospitais e academias.
Conveniência saiu do condomínio
O modelo da Minha Quitandinha nasceu durante a pandemia, quando os fundadores Douglas Pena e Guilherme Mauri buscavam soluções para reduzir custos e ampliar serviços em condomínios. Naquele momento, lojas autônomas ainda eram pouco conhecidas no Brasil, e parte do trabalho comercial envolvia explicar a síndicos como funcionava um mercado sem atendente.
A operação começou com testes em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O consumidor entrava na loja, escolhia os produtos e fazia o pagamento sozinho. Com a popularização do formato e a chegada de novos concorrentes, o mercado passou a ganhar escala nacional.
A virada seguinte veio em 2021, com a entrada no modelo de franquias. A demanda surgiu de moradores, síndicos e investidores interessados em operar unidades próprias em suas cidades. Hoje, cerca de 40% da base é formada por multifranqueados, ou seja, empreendedores que comandam mais de uma loja.
O investimento inicial para abrir uma unidade parte de R$ 60 mil. A Minha Quitandinha fornece estrutura operacional, tecnologia, identidade visual, padronização e acordos comerciais com fornecedores. O franqueado assume a gestão da loja.
Tecnologia virou parte central do negócio
Embora o nome e a ambientação tenham ajudado a marca a se diferenciar em um setor com muitas redes de identidade parecida, a tecnologia própria passou a ser o principal eixo da operação.
Desde 2023, a plataforma da Minha Quitandinha controla pagamentos no caixa autônomo, estoque, precificação e suporte aos franqueados. Esse sistema permite ajustar produtos e promoções conforme o perfil de consumo de cada local.
Uma loja dentro de uma academia, por exemplo, tende a ter mix diferente de uma unidade instalada em uma empresa, hospital ou condomínio residencial. A automação também sustenta a operação 24 horas, sem atendente, com monitoramento remoto e gestão em tempo real.
Esse controle tecnológico é o que permite à rede testar novos formatos sem depender apenas dos condomínios. Em cidades pequenas e médias, a companhia começou a operar lojas de rua, com cerca de 15 a 20 unidades em funcionamento nessa frente.
Rede quer consolidar operadores menores
A expansão também passa por consolidação. Pequenos operadores regionais de minimercados autônomos vêm enfrentando dificuldades para manter estrutura de tecnologia, logística, distribuição e suporte.
A Minha Quitandinha vê esse movimento como oportunidade. Em alguns casos, operadores menores podem ser convertidos em franqueados. Em outros, a operação pode ser adquirida e incorporada à bandeira da rede.
Com isso, a startup tenta capturar uma fase mais madura do setor. Depois do crescimento acelerado dos minimercados em condomínios, o desafio passou a ser escala, eficiência operacional e capacidade de atender diferentes tipos de ponto comercial.
Empresa testa expansão internacional
Além do Brasil, a Minha Quitandinha já iniciou operações fora do país. A rede tem três lojas em Dubai e prepara a primeira unidade nos Estados Unidos, na Flórida.
No mercado americano, a estratégia inicial será concentrada em empresas, e não em condomínios. A companhia também adaptou o nome para a operação internacional, mantendo elementos visuais ligados à identidade brasileira.
