A Zeom, fintech fundada por brasileiros em Londres, levantou uma rodada pré-seed de R$ 15 milhões e prepara sua chegada ao mercado brasileiro. A startup quer oferecer conta global, cartão internacional e acesso a investimentos internacionais por meio de um único aplicativo.
A rodada foi liderada pela Fabric Ventures, gestora global de venture capital especializada em fintechs, blockchain e ativos digitais. Também participaram a aceleradora Plug and Play e a espanhola Tritemius, sediada em Madri e focada em ativos digitais e tecnologias emergentes.
Com o aporte, a Zeom sai do stealth mode, fase em que operava com poucos clientes, e passa a acelerar o desenvolvimento da plataforma e a abertura da base no Brasil.
Ponte entre o real e o mundo
A Zeom foi criada por Rafael Pereira, André Bastos, Bruno Maia e Roberto Ono Filho. A proposta da fintech é funcionar como uma ponte entre o real e o mercado internacional.
Na prática, o usuário poderá converter reais para uma conta global de forma instantânea via Pix e acessar serviços financeiros e ativos internacionais dentro do aplicativo, disponível para iOS e Android.
A empresa afirma que a entrada será acessível, com aportes a partir de R$ 50. A solução também prevê cartão internacional aceito em mais de 190 países e infraestrutura baseada em blockchain.
“A próxima etapa passa pela democratização do acesso a ativos globais, permitindo que mais investidores possam diversificar seu patrimônio, proteger seu poder de compra em moeda forte e acessar oportunidades internacionais de forma simples, segura e transparente”, afirma Rafael Pereira, cofundador da Zeom.
Fintech mira lacuna dos investimentos internacionais
A Zeom chega ao Brasil em um momento em que o acesso a investimentos ainda é concentrado em produtos tradicionais.
Segundo a nona edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da ANBIMA, 36% da população brasileira investe em algum produto financeiro. A poupança aparece como principal destino, citada por 22% dos brasileiros. A renda fixa representa 7%, fundos somam 5%, ativos digitais aparecem com 4% e ações ficam em 2%.
Para a Zeom, esse cenário abre espaço para produtos que facilitem a diversificação internacional, especialmente entre investidores que ainda não acessam contas globais ou ativos em moeda forte.
Meta é chegar a 50 mil clientes no Brasil
Com a solução validada em testes com centenas de clientes, a Zeom pretende escalar a operação brasileira nos próximos meses.
A meta da startup é alcançar 50 mil clientes no Brasil até o fim de 2026.
O desafio será disputar um mercado que já conta com nomes conhecidos em conta global e serviços financeiros internacionais, como Nomad, Wise e outras fintechs que vêm ampliando ofertas de câmbio, cartão e investimentos.
Ainda assim, a Zeom aposta na combinação entre Pix, conta global, baixo valor de entrada, ativos internacionais e blockchain para se diferenciar.
Fabric Ventures vê oportunidade na América Latina
Para a Fabric Ventures, a América Latina reúne características que favorecem o crescimento de novas plataformas financeiras.
“A América Latina combina uma população cada vez mais digitalizada, alta adoção de pagamentos instantâneos e uma demanda crescente por diversificação patrimonial, criando um ambiente favorável para o surgimento de novas plataformas financeiras. Acreditamos que a Zeom está bem posicionada para acelerar essa transformação e ampliar o acesso a ferramentas globais de preservação e crescimento de patrimônio”, afirma Anil Hansjee, general partner da Fabric Ventures.
A gestora foi fundada por investidores com passagem pela Firestartr, que investiu em empresas como a Wise.









