A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou, nesta terça-feira, uma redução drástica de até 50% nos preços de tabela de seus principais medicamentos para diabetes e perda de peso nos Estados Unidos.
A partir de 1º de janeiro do próximo ano, os sucessos de vendas Ozempic e Wegovy passarão a custar US$ 675 por mês. A medida representa um corte de metade do valor atual do Wegovy e uma redução de 35% no preço do Ozempic, sendo aplicada a todas as dosagens dos fármacos.
A decisão estratégica da companhia coincide com a implementação de novos valores, mais baixos, para esses mesmos medicamentos dentro dos planos de saúde federais do Medicare, voltados para idosos.
Além das versões injetáveis, os cortes de preço também serão estendidos às versões em comprimidos do Wegovy e ao Rybelsus. A Novo Nordisk justificou a mudança como um compromisso para ampliar a acessibilidade dos pacientes e facilitar a gestão de custos para planos de saúde públicos e privados em um sistema de saúde cada vez mais complexo.
O cenário para os medicamentos da classe GLP-1 tem se tornado extremamente competitivo nos Estados Unidos, com a entrada de novos concorrentes e uma pressão crescente por transparência nos custos.
A farmacêutica destacou que o mercado está migrando para canais de pagamento à vista, onde o consumidor final é mais sensível aos preços de tabela. Com a redução, a empresa busca manter sua dominância em um setor onde o custo elevado tem sido o principal entrave para a adesão contínua aos tratamentos.
A Eli Lilly assumiu a liderança do mercado de emagrecimento nos EUA, detendo cerca de 60% do market share com o Zepbound e o Mounjaro. Estudos indicaram que o medicamento da Lilly proporciona uma perda de peso superior (cerca de 50 libras em 72 semanas) comparado ao Wegovy (33 libras). A estratégia da Novo Nordisk de cortar os preços pela metade é uma tentativa agressiva de recuperar terreno. Enquanto o Wegovy e o Ozempic baixarão para US$ 675, a Eli Lilly já vinha trabalhando com modelos de “volume sobre preço”, negociando valores próximos a US$ 350 em programas específicos (como o TrumpRx) e para planos federais como o Medicare.
Este cenário de 2026 mostra que a “era de ouro” dos preços astronômicos para GLP-1s acabou, dando lugar a uma era de acessibilidade em massa e competição por volume.









