O PagBank registrou lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 4% na comparação anual e levemente abaixo da estimativa média de R$ 580 milhões dos analistas consultados pela LSEG.
A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões, crescimento de 6% na base anual, impulsionado pela aceleração da plataforma de banking. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) avançou para 15,8%, alta de 80 pontos-base em relação ao mesmo período de 2025.
A base de clientes chegou a 34 milhões, expansão de 6% no ano, sustentando o crescimento operacional do banco digital do grupo UOL. O volume de cash-in — que soma as entradas nas contas digitais e o volume na adquirência — totalizou R$ 81 bilhões no trimestre, alta de 11%. Os depósitos avançaram 23% na base anual, para R$ 42 bilhões.
O destaque do balanço ficou com a carteira de crédito, que cresceu 36% em doze meses, para R$ 5 bilhões — ritmo que supera o teto do guidance anual da própria companhia, que previa expansão entre 25% e 35%. O desempenho levou o banco a revisar sua perspectiva para a taxa Selic ao final do ano. “Estamos olhando para um número provavelmente mais próximo de 13,50%”, disse o CEO Carlos Maud — sinalização de que a instituição já embute um cenário de aperto monetário mais prolongado em seu planejamento.
Sobre o Novo Desenrola, programa lançado pelo governo federal no início do mês para renegociação de dívidas com até R$ 15 bilhões em garantias da União, o PagBank adota postura de cautela otimista. Maud reconheceu a relevância do programa para o crédito no Brasil, mas minimizou o impacto direto no banco. “Para nós, ele tem baixa relevância, até porque o nosso portfólio é pequeno”, disse o executivo, acrescentando que o Desenrola original teve alcance maior sobre a carteira do banco do que a nova edição deve ter.
A inadimplência elevada no sistema financeiro também não preocupa a instituição no curto prazo. Com uma carteira de crédito ainda em estágio inicial de maturação, o banco considera que os movimentos macroeconômicos têm poder limitado de pressionar seus indicadores de qualidade de crédito. O contexto externo, no entanto, é de atenção: o Banco Central informou em fevereiro que a taxa de inadimplência em recursos livres subiu para 5,5% — o nível mais alto desde agosto de 2017 e um ponto percentual acima do registrado doze meses antes.
O resultado do PagBank ilustra a dinâmica do setor de fintechs em um ambiente de juros altos: margens financeiras favorecidas pelo spread, crescimento acelerado de crédito a partir de uma base baixa e menor exposição imediata à deterioração do crédito que já pesa sobre os grandes bancos. O desafio, à medida que a carteira ganha escala, será sustentar esse isolamento relativo diante de um ciclo de inadimplência que ainda não deu sinais claros de reversão









