A Petrobras liderou o ranking de lucratividade entre as maiores petroleiras do mundo no primeiro trimestre de 2026, superando gigantes como Shell e Exxon Mobil, segundo levantamento exclusivo da Elos Ayta.
A estatal brasileira registrou lucro líquido de US$ 6,25 bilhões no período, à frente da Shell, com US$ 5,69 bilhões, e da Exxon Mobil, que lucrou US$ 4,18 bilhões — empresas com valor de mercado superior ao da Petrobras.
A liderança, no entanto, carrega uma explicação cambial relevante. Em reais, o lucro da Petrobras recuou: caiu de R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 32,6 bilhões no mesmo período de 2026.
O que elevou a companhia ao topo do ranking em dólares foi a apreciação do real: o dólar Ptax médio caiu de R$ 5,85 para R$ 5,26 entre os dois períodos, o que inflou o valor do lucro quando convertido para a moeda americana — referência utilizada por investidores internacionais para comparar empresas globais.
O efeito cambial, portanto, favoreceu a Petrobras na comparação global ao mesmo tempo em que mascara uma deterioração operacional em moeda local. Analistas não consideraram o trimestre positivo para a estatal, que vinha de posições mais modestas no ranking — em 2025, a Exxon havia liderado o grupo com lucro anual de US$ 28,84 bilhões, contra US$ 20,01 bilhões da Petrobras. No primeiro trimestre daquele ano, a americana também havia ficado à frente, com US$ 7,71 bilhões ante US$ 6,13 bilhões da brasileira.
A virada no primeiro trimestre de 2026 ocorre em um contexto em que a Petrobras atingiu níveis recordes de produção, fator que deve produzir efeitos mais visíveis nos resultados do segundo trimestre.
A alta recente do Brent — que ultrapassou US$ 107 o barril em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz — adiciona um componente favorável adicional às perspectivas da estatal para os próximos meses, reforçando a expectativa de que o melhor desempenho financeiro do ano ainda está por vir.








