Os preços internacionais do petróleo bruto registraram forte queda nesta segunda-feira (25), recuando cerca de 5% nos principais mercados futuros. O movimento de desvalorização foi deflagrado pelas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que indicou avanços significativos nas negociações diplomáticas com o Irã para a reabertura do Estreito de Hormuz. Apesar do otimismo demonstrado pela Casa Branca, o mandatário ressaltou que os Estados Unidos não vão apressar a assinatura de um acordo definitivo com o regime de Teerã.
Refletindo o tom político, os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, recuaram 5,8% e passaram a ser negociados na casa dos US$ 90,96 por barril por volta das 12h59 (horário de Brasília). No mesmo ritmo, o barril do tipo Brent, utilizado como referência internacional e para as operações da Petrobras, também apresentou queda de 5,8%, estabelecendo-se no patamar de US$ 97,52. O recuo reverte parte do prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando os preços da commodity em patamares elevados.
A sinalização de progresso foi feita por Trump em suas redes sociais no domingo, quando o presidente afirmou que as conversas estão avançando de maneira ordeira e construtiva, acrescentando ter instruído seus negociadores a manterem a cautela, pois o tempo jogaria a favor dos EUA. No sábado anterior, ele já havia antecipado que os termos para a abertura de Ormuz estavam em grande parte desenhados. No entanto, analistas de mercado recebem as declarações com cautela, lembrando que o governo americano já havia sugerido tréguas anteriores que culminaram em novos picos de tensão e disparada de preços.
A retração desta segunda-feira dá continuidade ao alívio iniciado na semana passada, quando o WTI e o Brent acumularam perdas de 8% e 5%, respectivamente, após o cancelamento de ataques aéreos coordenados contra o Irã para abrir espaço à diplomacia. O mercado busca estabilização após um período de extrema volatilidade: desde o dia 28 de fevereiro, quando ações militares conjuntas dos Estados Unidos e de Israel atingiram alvos em território iraniano, os preços do petróleo bruto já acumulam uma valorização superior a 30%.
A crise na região agravou-se no início de março, quando o Irã impôs um bloqueio marítimo de fato ao Estreito de Hormuz, exigindo autorizações prévias de navegação sob risco de retaliação militar. A medida drástica de Teerã foi uma resposta direta aos bombardeios ocidentais que resultaram na morte do chefe de Estado da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, além de outras lideranças do alto escalão do país. Geograficamente estratégico, o estreito escoa cerca de 20% de toda a oferta global de petróleo, e sua obstrução gerou a maior interrupção de suprimento energético da história recente.
Como contraofensiva ao bloqueio iraniano, Washington estabeleceu um cerco naval severo aos portos e navios mercantes pertencentes ao Irã. Diante do cenário de queda nos preços decorrente da expectativa de diálogo, Donald Trump fez questão de enfatizar que a pressão econômica e militar norte-americana não será aliviada de forma imediata. Segundo o presidente, as sanções e o bloqueio naval dos EUA permanecerão em plena força e efeito até que o acordo bilateral seja oficialmente alcançado, certificado e assinado por ambas as potências.









