Quem já não ouviu que a vida é uma corrida e se sentiu pressionado para chegar antes dos seus pares e ser o vencedor?
Se você não foi pressionado por tal impulso, agradeça aos seus cuidadores que ajudaram a preservar sua saúde mental.
Mas nem todos viveram nesse entorno e seja por estímulos externos ou próprios, o impulso competitivo está presente no nosso cotidiano.
Longe de querer condenar o espírito competitivo, um dos impulsionadores para o nosso desenvolvimento, o que não fica claro, muitas vezes, é contra quem e que tipo de corrida estamos disputando, e isso faz toda diferença.
Quando falamos de competição, o que vem à mente é aquela situação do eu contra alguém, onde há um ganhador e um perdedor. Mas você já pensou que podemos estar competindo e comparando os atletas de diferentes esportes?
Podemos estar correndo freneticamente para completarmos os 100 metros, chegando extenuados e sem fôlego ao final de cada prova, imaginando que pelo acumulado a cada 100 metros, lograremos alcançar uma longa distância.
Quem já assistiu a provas de atletismo pode observar que o biotipo dos atletas que disputam provas de 100 metros rasos e dos que disputam 10.000 metros ou maratonas são totalmente distintos.
O primeiro tem uma constituição muscular bem desenvolvida e a sua força está na explosão e velocidade, mas, ao contrário dos outros dois, não consegue correr distâncias mais longas. Ele é um atleta de tiro curto.
Seu período de apogeu se dá dos 21 até 28 anos, enquanto para um maratonista ocorre entre 30 e 35 anos.
Então, uma definição importante a ser feita é que atleta eu sou: corredor de 100 metros, um meio fundista ou maratonista.
Para cada uma dessas escolhas, a nossa estratégia de preparação será distinta, assim como as métricas (“milestone”) de sucesso.
É natural que no início de nossas carreiras, não tenhamos experiência nem maturidade para essas definições. Estamos ocupados correndo atrás de pagar os boletos, atender as expectativas sociais, o que os outros esperam de mim, sem ter clareza real de quais são as minhas aspirações, tendo sido promovido, como num passe de mágica, ao mundo dos adultos, sem nenhum manual de instruções.
Passada a correria inicial, onde o trabalho é basicamente uma atividade que nos garante a subsistência, podemos ter a oportunidade de refletirmos sobre as nossas motivações no trabalho: trabalho no que faço bem ou naquilo que quero fazer? Se você tem a rara felicidade de trabalhar no que você gosta e ainda se destaca na sua atividade, parabéns, você encontrou no seu trabalho a sua vocação, um propósito.
Outros buscam no trabalho uma projeção social que os destaque: reconhecimento pelo título, a posição que ocupam têm papel de destaque. O trabalho é o veículo através do qual buscam esse reconhecimento.
Um outro grupo tem como objetivo o acúmulo de riqueza. Trabalham com o firme propósito de se tornarem ricos.
Todos os propósitos são válidos se eticamente e moralmente perseguidos. Reflita sobre qual é o propósito do seu trabalho e de qual corrida que você escolheu participar, evitando se comparar com um atleta de 100 metros rasos, caso você tenha escolhido ser um meio fundista.
Veja se os “milestone” que você está aplicando refletem os seus valores ou as expectativas de outros. A única pessoa com quem devemos nos comparar somos nós mesmos. Como eu estou em relação a ontem e em relação aos meus planos.
E, ainda falando de corridas, alguns encaram a vida como uma corrida de revezamento, onde ele passa o bastão para o próximo na expectativa de que ele, além de substituí-lo , supere seus resultados .
Afinal, em que corrida você está?








