A Raízen (RAIZ4), gigante do setor de açúcar e etanol, oficializou a contratação de assessores de peso para tentar reverter sua delicada situação financeira. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) na última segunda-feira, a companhia confirmou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como consultores jurídicos, além da Rothschild & Co para atuar na frente financeira. O movimento visa fortalecer a liquidez e otimizar a estrutura de capital da empresa, que enfrenta dificuldades para sustentar seu atual nível de endividamento.
A joint venture entre a Cosan e a Shell atravessa um período de forte turbulência financeira. No segundo trimestre da safra 2025/2026, a Raízen registrou um prejuízo líquido superior a R$ 2,3 bilhões, enquanto sua dívida líquida saltou para R$ 53,4 bilhões no fechamento de setembro.
Segundo fontes próximas à operação, os resultados recentes evidenciam que a estrutura de capital atual tornou-se insustentável, o que obriga a companhia a iniciar uma avaliação exploratória de alternativas econômicas para evitar um colapso financeiro.
A reação do mercado à contratação dos consultores foi imediata e severa. As agências de classificação de risco S&P Global e Fitch rebaixaram as notas de crédito da Raízen para o patamar ‘CCC’, sinalizando um risco elevado de crédito.
A S&P justificou a decisão afirmando que o envolvimento de especialistas financeiros indica uma alta probabilidade de reestruturação da dívida, especialmente após a frustração de expectativas anteriores em relação à venda de ativos e novas capitalizações que não se concretizaram como esperado.
Para tentar conter a crise, a Raízen já iniciou um plano de desinvestimentos e as controladoras Cosan e Shell estudam formas de injetar capital na operação, incluindo a possível entrada de novos investidores.
O mercado agora aguarda com cautela a próxima quinta-feira, dia 12 de fevereiro, quando a companhia deve divulgar os resultados financeiros do terceiro trimestre da safra 2025/2026, balanço que será determinante para medir a profundidade do desafio de recuperação da empresa.









