Smurfit Westrock injeta R$ 1 bi no Brasil para ampliar fábricas, automação e IA

A Smurfit Westrock destinou R$ 1 bilhão ao Brasil nos últimos dois anos e prepara a operação para crescer acima do ritmo do mercado. Os recursos foram direcionados à ampliação da capacidade industrial, automação, inteligência artificial e desenvolvimento de novas soluções de embalagens, em uma aposta que combina expansão produtiva e aumento da eficiência.

A estratégia foi detalhada por Manuel Alcalá, CEO da companhia no Brasil, em entrevista à CNN Brasil. Na avaliação do executivo, o país reúne uma combinação difícil de encontrar em outros mercados: escala de consumo, disponibilidade de recursos naturais, agronegócio competitivo e uma posição geopolítica considerada favorável para investimentos de longo prazo.

O aporte também busca reduzir riscos em um ambiente de cadeias globais mais instáveis. Para a fabricante, aumentar capacidade não basta. A operação precisa responder com maior previsibilidade a clientes de setores que dependem de embalagens para manter produtos essenciais em circulação.

A Smurfit Westrock surgiu em 2024, após a combinação entre a Smurfit Kappa e a WestRock. Hoje, mantém presença em cerca de 40 países e aproximadamente 500 unidades industriais. A produção global chega a 21 milhões de toneladas de papel por ano.

Em 2025, o grupo registrou receita de US$ 31,1 bilhões e lucro líquido de US$ 699 milhões. O Ebitda ajustado alcançou US$ 4,9 bilhões, segundo números divulgados pela companhia e apresentados pela CNN Brasil.

Brasil ganha espaço na estratégia de crescimento

A operação brasileira começou em 2016 e hoje se estende do Nordeste ao Sul. Além das unidades industriais, a companhia mantém ativos florestais em Santa Catarina, onde possui cerca de 54 mil hectares de terras. Aproximadamente 25 mil hectares são destinados ao cultivo de pinus e eucalipto para abastecer a produção.

A integração entre floresta, papel e embalagem cria uma cadeia relevante para a estratégia local. Parte da produção utiliza fibras virgens, enquanto outra incorpora material reciclado, em proporções que variam conforme a resistência exigida por cada produto.

Embora a fabricação brasileira seja destinada ao mercado doméstico, as embalagens acompanham mercadorias exportadas por clientes. A conexão é particularmente importante no agronegócio, onde carnes, frutas e outros produtos percorrem longas distâncias e precisam resistir a transporte internacional, refrigeração e diferentes condições logísticas.

Na prática, o crescimento das exportações brasileiras pode elevar indiretamente a demanda por embalagens mais resistentes, mesmo quando a Smurfit Westrock não exporta diretamente a produção feita no país.

A companhia mantém ainda uma rede integrada na América Latina, com operações em mercados como Colômbia, Argentina, Peru, Equador, Costa Rica, República Dominicana e El Salvador.

Em 2025, a região gerou receita de US$ 2,1 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 485 milhões. O desempenho foi associado ao crescimento dos volumes, melhora de margens e maior integração entre operações regionais.

Agro exige embalagens mais resistentes

O agronegócio ocupa posição relevante na carteira da empresa porque diferentes cadeias produtivas demandam soluções específicas.

Uma caixa usada para uma mercadoria destinada ao consumo local enfrenta exigências distintas das embalagens que transportam carnes ou frutas por longos períodos. Em operações exportadoras, resistência à umidade, refrigeração, empilhamento e tempo de transporte passam a ser fatores decisivos.

Por isso, produtos de maior exigência estrutural podem utilizar uma proporção mais elevada de fibras virgens. Aplicações menos críticas permitem ampliar o uso de fibras recicladas.

A personalização tornou-se uma frente importante do negócio. Globalmente, a Smurfit Westrock reúne mais de 1.600 profissionais dedicados ao desenvolvimento de soluções, conectados por plataformas que permitem compartilhar projetos e adaptar embalagens a diferentes necessidades logísticas.

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