A fintech Stone anunciou uma nova onda de demissões em seu quadro de colaboradores, atingindo aproximadamente 370 pessoas. O movimento, que representa cerca de 3% da força de trabalho total da companhia (estimada em 11 mil funcionários), foi confirmado pela empresa como parte de um processo de simplificação e ganho de produtividade. No entanto, fontes internas e ex-funcionários apontam que o avanço da inteligência artificial (IA) é um dos pilares centrais dessa reorganização.
Embora o corte seja proporcionalmente pequeno no grupo geral, o impacto foi severamente concentrado na área de tecnologia. Relatos indicam que cerca de 20% da divisão de TI, que conta com mais de 2 mil profissionais, foi afetada.
Em reuniões internas realizadas na última terça-feira (10), a liderança da empresa teria justificado os cortes pela necessidade de redução de custos, encerramento de produtos de baixa rentabilidade e a substituição de funções humanas por processos automatizados via IA para ampliar a eficiência por colaborador.
A reestruturação ocorre após um desempenho considerado “morno” em 2025. No último ano, a Stone registrou um lucro líquido abaixo das expectativas do mercado, com crescimento de 12% e receita de R$ 3,7 bilhões. Para tentar recuperar margens e focar no core business, a fintech vendeu a Linx para a Totvs no ano passado por R$ 3,05 bilhões.
A pressão dos investidores e a queda nas ações também motivaram mudanças no alto escalão no início de 2026:
- Mateus Scherer, anteriormente CFO, assumiu o cargo de CEO.
- Pedro Zinner, antigo CEO, passou a atuar como chairman da companhia.
A estratégia de “cortar na carne” é vista por analistas e ex-colaboradores como uma medida drástica para entregar as metas de lucro prometidas para 2026 e 2027. Em nota oficial, a Stone limitou-se a dizer que as demissões são “ajustes pontuais” e que a operação segue normalmente, sem prejuízos aos clientes. A empresa optou por não comentar especificamente as alegações sobre a substituição de postos de trabalho por inteligência artificial.
