Sítios concentram biodiversidade e ajudam a conter mudanças climáticas
A Unesco destacou a contribuição de seus sítios para o meio ambiente global em relatório divulgado em Paris. Esses territórios, por sua vez, desempenham papel estratégico na preservação da biodiversidade e na regulação do clima.
Atualmente, a rede reúne mais de 2.200 áreas protegidas em todo o mundo, que somam cerca de 13 milhões de quilômetros quadrados. Além disso, nessas regiões estão mais de 60% das espécies mapeadas no planeta, sendo que cerca de 40% não existem em nenhum outro local.
Além disso, os sítios armazenam aproximadamente 240 gigatoneladas de carbono. Esse volume, por exemplo, equivale a quase duas décadas das emissões globais atuais, caso seja liberado na atmosfera. Ao mesmo tempo, as florestas presentes nessas áreas respondem por cerca de 15% da absorção mundial de carbono.
Mesmo com a queda de 73% nas populações de animais selvagens no mundo desde 1970, as espécies que vivem nesses territórios permanecem mais estáveis. Dessa forma, o dado reforça a importância dessas áreas para a conservação ambiental.
Pressões crescentes exigem novas estratégias de proteção
Apesar da relevância ambiental, os sítios enfrentam pressão crescente. Atualmente, cerca de 90% dessas áreas estão expostas a níveis elevados de estresse ambiental. Além disso, os riscos climáticos aumentaram 40% na última década.
Nesse contexto, o relatório indica que mais de um em cada quatro sítios pode atingir pontos críticos de degradação até 2050. Como resultado, esse cenário pode provocar impactos irreversíveis, como perda de biodiversidade, colapso de recifes de coral, desaparecimento de geleiras e aumento do estresse hídrico.
Além disso, os dados mostram que esses territórios têm forte dimensão social. Cerca de 900 milhões de pessoas vivem nessas áreas, o equivalente a 10% da população mundial. Ao mesmo tempo, mais de mil línguas estão registradas nesses locais, muitos deles ligados a territórios de povos indígenas.
Diante desse cenário, a Unesco recomenda ampliar ações de preservação. Entre as prioridades, por exemplo, estão restaurar ecossistemas, fortalecer a cooperação internacional, integrar essas áreas às políticas climáticas e ampliar a participação de comunidades locais.
Por fim, o relatório aponta um dado relevante. Cada aumento de 1 grau Celsius evitado pode reduzir pela metade o número de sítios expostos a grandes riscos até o fim do século. Assim, o estudo reforça a necessidade de ações imediatas para conter os impactos ambientais globais.








