A Unilever e a fabricante de especiarias McCormick anunciaram, nesta terça-feira (31), um acordo de fusão que dará origem a uma gigante do setor alimentício avaliada em aproximadamente US$ 65 bilhões. A operação, considerada a segunda maior da história no segmento de alimentos, será estruturada por meio de um Reverse Morris Trust (RMT), modelo que garante isenção de impostos e marca a maior transação desse tipo envolvendo uma companhia europeia até o momento.
Pelo desenho do negócio, a Unilever irá separar sua divisão de alimentos para fundi-la à proprietária da marca de molho picante Cholula. Como resultado, a gigante britânica e seus acionistas deterão 65% do capital social da nova empresa combinada, participação avaliada em US$ 29,1 bilhões.
Além da fatia societária, a Unilever receberá US$ 15,7 bilhões em dinheiro. No total, a unidade de alimentos da Unilever foi avaliada em cerca de US$ 45 bilhões, enquanto a McCormick foi precificada em US$ 21 bilhões.
A transação representa o passo mais ambicioso do CEO Fernando Fernandez desde que assumiu o comando da Unilever em março de 2025. O movimento ocorre após a conclusão da cisão da bilionária divisão de sorvetes do grupo, que incluía marcas como Ben & Jerry’s e Magnum.
Analistas do mercado, como a Aviva Investors, destacaram que a venda faz sentido estratégico diante dos baixos volumes de vendas da divisão de alimentos nos últimos anos, elogiando a estrutura tributária escolhida para a operação.
O acordo, no entanto, exclui ativos específicos, como as operações da Unilever na Índia. Após o anúncio, as ações da McCormick registraram alta de 2% nas negociações pré-mercado nos Estados Unidos, enquanto os papéis da Unilever apresentaram uma valorização marginal.
A assessoria financeira principal da McCormick ficou a cargo da Rothschild, que enfatizou o ineditismo do volume financeiro envolvido em uma estrutura RMT para o mercado europeu.









