A Dapper, startup colombiana que usa inteligência artificial para monitorar mudanças regulatórias, normativas e políticas, chega ao Brasil em junho com uma ambição grande: competir com consultorias que hoje atendem empresas em assuntos públicos, regulação e inteligência de mercado.
A empresa foi fundada em 2024 por Luis Alberto Rodríguez, ex-diretor de Planejamento da Colômbia e ex-vice-ministro técnico do Ministério da Fazenda do país. A tese dele é simples: grandes empresas precisam acompanhar governos, leis, agências reguladoras e discursos de autoridades em tempo real, mas ainda dependem de análises caras, lentas e pouco personalizadas.
A Dapper já atende 52 clientes ativos, entre eles Coca-Cola, TikTok, Philip Morris International e General Motors, e tem receita anual superior a US$ 1 milhão. Para 2026, a meta é chegar a US$ 4 milhões, quatro vezes o patamar atual.
O problema que a Dapper quer resolver
Empresas que atuam em mercados regulados precisam acompanhar uma quantidade enorme de informações públicas. Projetos de lei, decretos, decisões de agências, falas de ministros, votações no Congresso e publicações em diários oficiais podem mudar custos, operações, estratégia comercial e risco jurídico.
Hoje, boa parte desse trabalho é feita por consultorias e equipes internas. O problema, segundo Rodríguez, está em três pontos: demora, custo e baixa personalização.
A informação pode chegar tarde porque depende da leitura humana de um volume grande de dados. O serviço costuma ser caro porque exige profissionais experientes. Além disso, muitas análises acabam genéricas, mesmo quando clientes de um mesmo setor têm interesses diferentes.
“Nos mercados emergentes, o Estado produz diariamente informações críticas para as empresas, mas grande parte delas não chega de forma estruturada nem no momento adequado. A Dapper reduz esse problema com tecnologia”, afirma Rodríguez.
IA monitora mais de 500 fontes públicas
A plataforma da Dapper acompanha mais de 500 fontes públicas, incluindo votações no Congresso, decretos do Executivo, decisões de agências reguladoras e discursos de autoridades.
Na entrada do cliente, a empresa define palavras-chave, temas e pessoas que devem ser monitorados. A partir disso, o sistema passa a identificar sinais relevantes e melhorar as recomendações conforme o uso, em uma lógica parecida com a de plataformas digitais que aprendem com o comportamento do usuário.
A personalização também acontece dentro da própria empresa contratante. A área financeira pode receber alertas sobre temas fiscais, enquanto o time de relações institucionais acompanha debates políticos e regulatórios mais amplos.
Para grandes companhias, esse tipo de separação é importante porque a mesma mudança regulatória pode ter impactos diferentes para jurídico, finanças, operações, compliance e relações governamentais.
Por que o Brasil virou prioridade
A Dapper escolheu o Brasil como próxima etapa da expansão por causa do tamanho do mercado e do peso da regulação no país. Segundo a startup, em 2025 foram apresentados 51.458 projetos de lei entre Câmara e Senado, quatro vezes mais do que o segundo colocado na América Latina.
O volume de documentos oficiais também ajuda a explicar o interesse. Nos diários oficiais, são publicadas cerca de 330 informações por dia, segundo os dados citados pela empresa.
“Minhas expectativas estão altas para a operação no Brasil. Comparado a outros países, como a própria Colômbia, o Brasil é altamente regulado, tanto em mercados como energia e finanças, como até mesmo o segmento de alimentos e bebidas”, diz Rodríguez.
Outro fator pesa a favor da entrada no país: a Dapper já tem clientes globais com operação no Brasil. Isso permite vender a extensão do serviço para contratos existentes, sem depender apenas de novos clientes locais.
A empresa completou dois anos em março de 2026. No primeiro ano, operava apenas na Colômbia. Depois, adicionou Peru, México e República Dominicana em menos tempo. Hoje, está presente em sete países e pretende chegar a 16 mercados até o fim do ano.








