O Brasil aparece como o principal berço das multilatinas, grupo de empresas latino-americanas que expandiram operações para fora de seus países de origem. Segundo relatório recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o país concentra 42 companhias desse tipo, o equivalente a 26,9% das empresas analisadas.
O levantamento mapeou 156 multilatinas listadas em bolsa. Juntas, elas já mantêm filiais em mais de 116 países, em um movimento puxado por busca de novos mercados, escala internacional e tentativa de reduzir a exposição a instabilidades econômicas, políticas e regulatórias nos países de origem.
Entre as maiores empresas do ranking por faturamento, o Brasil também aparece com força. Petrobras, JBS, Cosan-Raízen, Vale e Marfrig estão entre as dez maiores multilatinas da região, segundo dados de receita de 2023 usados pelo BID.
Brasil fica à frente de México, Chile e Argentina
Nenhum país latino-americano tem mais multilatinas do que o Brasil na amostra do BID. Depois das 42 empresas brasileiras, aparecem México, com 32 companhias, Chile, com 30, e Argentina, com 20.
Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Costa Rica, Equador, Jamaica, Uruguai, Barbados, Panamá e Trinidad e Tobago também aparecem no levantamento, mas em escala menor.
O peso brasileiro acompanha o tamanho da economia do país e a presença de grupos nacionais em setores intensivos em capital, como energia, mineração, alimentos e infraestrutura. Mesmo assim, o relatório mostra que a internacionalização ainda é concentrada em poucas companhias de grande porte.
Petrobras lidera ranking regional por faturamento
A maior multilatina da América Latina, segundo o BID, é a Petrobras, com faturamento de US$ 102,4 bilhões em 2023. Na sequência aparece a JBS, também brasileira, com US$ 72,9 bilhões.
A terceira colocada é a Cosan-Raízen, com US$ 50,7 bilhões. O México surge em quarto lugar com a América Móvil, enquanto a Vale ocupa a quinta posição, com receita de US$ 41,7 bilhões.
O top 10 ainda inclui Ecopetrol, da Colômbia, Marfrig, Grupo Bimbo, Empresas Copec e Grupo Techint-Ternium. A presença de cinco empresas brasileiras entre as dez maiores mostra como o país ganhou protagonismo regional em negócios com atuação fora de suas fronteiras.
Manufatura e alimentos puxam expansão
O setor com maior presença entre as multilatinas é o de manufatura, que representa 26,9% das empresas analisadas. Nesse grupo entram segmentos como farmacêutico, siderúrgico, metalúrgico, cimenteiro e autopeças.
Em seguida aparecem alimentos e bebidas, com 17,3%, além de energia e mineração, com 13,5%. Serviços respondem por 12,2%, e comércio representa 10,3%.
Esse perfil ajuda a explicar a força de empresas brasileiras no levantamento. Petrobras, Vale, JBS, Marfrig e Cosan-Raízen atuam justamente em áreas com grande escala produtiva, presença internacional e necessidade de acesso a mercados externos.
Multilatinas ainda são menores que concorrentes globais
Apesar da expansão, o BID avalia que as multilatinas ainda têm porte inferior ao de empresas globais de outras regiões. Cerca de 45% das companhias analisadas têm até 10 mil funcionários.
Apenas 13 empresas têm mais de 50 mil empregados. Ainda assim, esse grupo maior concentra 78% do emprego total das multilatinas mapeadas.
O faturamento também mostra concentração. Só 15,6% das empresas registram receita acima de US$ 10 bilhões, enquanto 49% faturam menos de US$ 2 bilhões.
Nesse recorte, o Brasil volta a aparecer em destaque. As empresas brasileiras têm as maiores vendas médias entre os países analisados, com cerca de US$ 11 bilhões, à frente do México, com mais de US$ 7 bilhões, e da Colômbia, com mais de US$ 6,5 bilhões.
Investimentos seguem concentrados na própria América Latina
Entre 2013 e 2023, as multilatinas realizaram, em média, mais de 320 projetos greenfield por ano, de acordo com o BID. Esse tipo de investimento envolve a criação de uma operação do zero em outro mercado, em vez da compra de um ativo já existente.
No período, essas empresas investiram mais de US$ 14 bilhões por ano, em média, e geraram cerca de 43 mil empregos anuais.
Mesmo com presença global, a América Latina e o Caribe continuam sendo o principal destino desse capital. Em 2023, a região concentrou 50% dos investimentos das multilatinas. A Ásia-Pacífico ficou em segundo lugar, com 21%, puxada principalmente por companhias do Brasil, México e Chile.









