A Food To Save transformou um problema recorrente do varejo alimentar em um negócio de escala nacional. Criada em 2021, a startup brasileira conecta consumidores a padarias, mercados, supermercados e restaurantes que têm alimentos ainda próprios para consumo, mas que poderiam ser descartados por estarem perto do vencimento, fora do padrão visual ou sobrando ao fim do dia.
O modelo gira em torno das chamadas sacolas surpresa. Pelo aplicativo, o consumidor escolhe um estabelecimento próximo, compra uma sacola com desconto e retira o pedido no local. O conteúdo exato não é revelado antes da retirada, o que permite ao comércio montar os kits com base no excedente real do dia.
A foodtech já vendeu quase 9 milhões de sacolas surpresa, salvou milhares de toneladas de alimentos e projeta faturar R$ 220 milhões em 2026.
Como nasceu a Food To Save
A origem da startup está ligada à experiência de Lucas Infante, fundador e CEO da empresa. Antes de criar a Food To Save, ele viveu na Espanha e operou uma franquia do Carrefour Express, onde acompanhou de perto o volume de alimentos ainda bons que acabavam descartados por não serem vendidos a tempo.
O problema tinha duas faces. Para o varejo, cada produto descartado representava perda de receita. Para o consumidor, aquele mesmo alimento poderia significar uma compra mais barata.
A inspiração veio de modelos europeus de combate ao desperdício, como a Too Good To Go. No Brasil, porém, a operação começou de forma simples, durante a pandemia, com vendas pelo Instagram, atendimento por direct, pagamento via Pix e retirada nos estabelecimentos parceiros.
Sacola surpresa virou produto
O funcionamento da Food To Save é direto. O consumidor acessa o aplicativo, escolhe uma loja próxima e compra uma sacola surpresa em categorias como doce, salgada ou mista.
Os descontos podem chegar a 70%. Para o cliente, a proposta combina economia e curiosidade. Para o lojista, a vantagem está em transformar produtos que poderiam virar descarte em receita incremental, sem precisar cadastrar item por item.
Uma padaria pode incluir produtos que sobraram da produção. Um mercado pode colocar itens próximos do vencimento. Um restaurante pode separar alimentos ainda adequados ao consumo, mas que perderiam valor comercial se ficassem para o dia seguinte.
Grandes redes deram escala ao modelo
A startup começou com estabelecimentos menores, mas ganhou tração quando grandes redes passaram a aderir à plataforma.
Entre os parceiros citados estão marcas como Pão de Açúcar, St. Marche, Natural da Terra, Cacau Show, Zé Delivery, GPA, Grupo Supernosso, Angeloni, NEMA, Grupo HNT, Kopenhagen e CRM.
A entrada dessas empresas ajudou a transformar o modelo em uma ferramenta de eficiência para o varejo. Produtos antes tratados como perda passaram a circular por um novo canal de venda.
A Food To Save ganha comissão sobre as transações realizadas na plataforma.
Faturamento saltou em poucos anos
A evolução financeira da startup acompanha a expansão do modelo. A empresa faturou R$ 128 mil em 2021, primeiro ano de operação. Em 2022, chegou a R$ 3 milhões. Em 2023, avançou para R$ 30 milhões.
Depois, a escala acelerou. A companhia registrou faturamento de cerca de R$ 160 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 220 milhões em 2026.
A base também cresceu. A Food To Save soma mais de 10 milhões de downloads e mais de 12 mil estabelecimentos parceiros.









