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Home Tecnologia

NTSec mira R$ 700 milhões e prepara expansão para Portugal e México

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
26/06/2026
em Tecnologia
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Vazamento de dados, sistemas fora do ar e falhas em ambientes de nuvem passaram a ter impacto direto no caixa das empresas. À medida que mais negócios digitalizam operações e adotam inteligência artificial, cresce também a quantidade de pontos vulneráveis a ataques.

Nesse cenário, o Grupo NTSec reorganizou sua estrutura para acelerar o crescimento. Fundada em 2007, a empresa de cibersegurança transformou-se em uma sociedade anônima de capital fechado e passou a reunir quatro operações sob uma holding: NTSec, InfoSec, ZivaSec e CloudSec.

A meta agora é fechar 2026 com R$ 700 milhões em faturamento. Depois de ultrapassar R$ 500 milhões em receita em 2025, o grupo prepara os próximos passos fora do Brasil, com Portugal como porta de entrada na Europa e México como aposta na América Latina.

Crescimento exigiu nova estrutura

A reorganização societária responde a um problema comum em empresas que crescem rápido: manter controle, governança e visibilidade sobre áreas cada vez mais especializadas.

Hoje, o grupo tem quase 400 funcionários e 12 escritórios no Brasil. As principais bases estão em Brasília, São Paulo, Fortaleza, Cuiabá e Curitiba, com unidades regionais ligadas a essas operações.

Para Bruno Nóbrega, fundador da NTSec, a mudança era necessária para evitar perda de controle sobre a expansão.

“Crescer desordenadamente é muito perigoso. Enquanto a empresa era pequena, com dois ou três diretores, a gente conseguia ter visibilidade de tudo. Hoje já não é a nossa realidade”, afirma.

A holding passa a organizar as frentes de atuação e prepara a companhia para uma etapa em que a segurança digital deixa de ser apenas suporte técnico e passa a fazer parte da estratégia de negócios dos clientes.

Quatro frentes para diferentes riscos digitais

A estrutura atual da NTSec combina quatro pilares. Cada unidade atua em uma camada da proteção digital, de redes corporativas a ambientes em nuvem.

Essa divisão permite conversar com diferentes áreas dentro dos clientes. Projetos de infraestrutura dialogam com times de redes. Soluções de proteção avançada envolvem áreas de segurança. Ambientes em nuvem exigem outro tipo de especialização.

Apesar da separação por frentes, a empresa afirma que o olhar sobre os projetos precisa ser integrado.

“A gente nunca vai desenvolver um projeto de rede olhando simplesmente para o switch e entregando as caixas para os nossos clientes. A gente vai olhar para o projeto de forma que ele tenha uma rede segura, visibilidade e controle de todos os dispositivos que se conectam a ela”, diz Nóbrega.

O modelo tenta fugir da venda de produtos isolados. Antes de oferecer uma solução, o grupo faz um diagnóstico do ambiente do cliente e monta uma jornada de segurança, com etapas de três a cinco anos, de acordo com o nível de maturidade de cada operação.

Segurança ainda disputa orçamento com preço

A maturidade dos clientes aparece como um dos principais entraves do mercado.

Na avaliação de Nóbrega, muitas empresas ainda tomam decisões de cibersegurança com base apenas no menor preço. Esse tipo de escolha pode reduzir a proteção e aumentar o tempo de resposta em caso de incidente.

“Quando você fala em segurança, o preço normalmente é inversamente proporcional ao nível de segurança que você está recebendo”, afirma.

A diferença pode aparecer em situações críticas. Um fornecedor mais barato pode ter suporte mais lento ou menor capacidade de resposta, deixando a empresa exposta por mais tempo.

Em setores dependentes de sistemas digitais, uma interrupção de poucos dias já pode provocar prejuízos operacionais, financeiros e reputacionais.

IA e nuvem aumentam a superfície de ataque

O avanço da inteligência artificial cria novas oportunidades para empresas de tecnologia, mas também amplia os desafios de proteção.

Modelos de IA dependem de grandes volumes de dados, integrações com sistemas internos e ambientes de processamento cada vez mais complexos. Cada nova conexão pode se tornar uma porta de entrada para ataques, falhas de configuração ou vazamentos.

A nuvem também mudou o desenho da segurança corporativa. Em vez de proteger apenas data centers próprios, empresas precisam monitorar múltiplos ambientes, fornecedores, aplicações e permissões de acesso.

Para a NTSec, esse movimento abre espaço para crescimento em áreas como proteção de arquiteturas de IA e armazenamento seguro de dados.

Portugal será porta de entrada na Europa

A expansão internacional começa por Portugal.

A escolha tem relação com idioma, proximidade cultural e acesso ao mercado europeu. A tese da NTSec é que a estrutura de custos no Brasil pode dar vantagem competitiva em relação a empresas que operam diretamente em euro.

“Durante muito tempo, pensou-se que os profissionais de tecnologia da Europa seriam melhores que nós. Mas no decorrer dos anos a gente começou a perceber que o que a gente faz aqui é muito melhor do que eles têm feito lá”, afirma Nóbrega.

A aposta é levar para o mercado europeu uma operação com custo em real, base técnica brasileira e capacidade de entrega em projetos complexos de cibersegurança.

Tags: CibersegurançaInteligência ArtificialMéxicoNTSecNuvemPortugalSegurança digital
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Ao longo da carreira, participou da produção de conteúdos voltados à tecnologia, comportamento e inovação, com passagem por veículos como TechTudo e GZH. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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