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Home Agronegócio

Autossuficiência em grão-de-bico e lentilha entra no radar do agro brasileiro

Júlia Barreto por Júlia Barreto
29/05/2026 - Atualizado em: 08/06/2026
em Agronegócio
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Foto: IA

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O Brasil começou a ampliar investimentos na produção de grão-de-bico, lentilha e outras leguminosas para reduzir dependência das importações e fortalecer o abastecimento interno.

Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), produtores, pesquisadores e empresas do setor agropecuário vêm acelerando projetos ligados ao cultivo dessas culturas no país.

A estratégia busca transformar o Brasil em um mercado mais competitivo no segmento de pulses, grupo que reúne leguminosas secas destinadas à alimentação humana, como feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.

Produção nacional de grão-de-bico cresce no Cerrado

O grão-de-bico aparece como uma das culturas que mais avançam no país.

A produção ainda é considerada pequena, mas vem crescendo em estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal.

O avanço é impulsionado principalmente por pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que desenvolveu variedades adaptadas às condições climáticas brasileiras.

Hoje, o Brasil ainda importa praticamente todo o grão-de-bico consumido no mercado interno, principalmente da Argentina e do México.

Lentilha ainda depende de importações

A lentilha segue cenário semelhante.

A produção brasileira permanece limitada e concentrada principalmente na região Sul do país.

Pesquisadores tentam adaptar a cultura ao Cerrado por meio de sistemas irrigados e novas técnicas agrícolas.

Segundo o USDA, a lentilha pode se tornar alternativa importante para rotação de culturas com soja e milho, aumentando a renda dos produtores durante períodos de entressafra.

Mercado plant-based impulsiona demanda

Outro segmento em expansão envolve a produção de ervilhas voltadas à indústria de alimentos plant-based.

O crescimento global do consumo de proteínas vegetais aumentou a demanda por ingredientes derivados de ervilhas e outras leguminosas.

Especialistas avaliam que o movimento pode estimular novos investimentos na produção nacional nos próximos anos.

Brasil busca reduzir dependência externa

O objetivo do setor é diminuir gradualmente a necessidade de importação dessas culturas.

Atualmente, boa parte da lentilha e do grão-de-bico consumidos no Brasil ainda vem do exterior.

Produtores enxergam potencial de crescimento principalmente em regiões do Cerrado com irrigação e condições climáticas favoráveis.

Exportações de leguminosas avançam

O relatório do USDA também aponta crescimento das exportações brasileiras de leguminosas.

Em 2025, as vendas externas do setor cresceram 30%, alcançando US$ 443,3 milhões e mais de 533 mil toneladas exportadas.

Grande parte desse avanço foi impulsionada pelo feijão-mungo, cuja demanda internacional é puxada principalmente pela Índia.

Analistas avaliam que o Brasil pode ampliar participação global nesse mercado nos próximos anos.

Consumo de feijão segue em queda

Enquanto novas leguminosas avançam, o tradicional feijão enfrenta redução no consumo interno.

Dados citados pelo USDA mostram que o consumo per capita caiu cerca de 50% nas últimas décadas no Brasil.

Especialistas apontam mudanças nos hábitos alimentares, crescimento do consumo de ultraprocessados e redução do tempo disponível para cozinhar como fatores que explicam a queda.

Mesmo assim, arroz e feijão continuam entre os principais alimentos da dieta brasileira.

Agro enfrenta desafios para expansão

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes.

Entre os principais desafios estão oscilações climáticas, custos elevados de fertilizantes, concorrência com soja e milho e limitações logísticas.

Discussões em comunidades online também mostram divergências sobre competitividade, infraestrutura e sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Especialistas avaliam que variedades mais produtivas, irrigação e tecnologia agrícola serão fundamentais para ampliar a competitividade brasileira no mercado global de leguminosas.

Tags: Agronegócio
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Júlia Barreto

Júlia Barreto

Sou jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com experiência em assessoria de comunicação, relacionamento com a imprensa, gestão de redes sociais e criação de conteúdo. Durante minha jornada, atuei em ambientes institucionais, públicos e em jornal de circulação diária, desenvolvendo atividades de apuração, redação e produção de conteúdo para diferentes plataformas. Tenho experiência em jornalismo digital, impresso, audiovisual e agência de comunicação e marketing.

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