O crescimento das motos aquáticas começa a movimentar também os investimentos em infraestrutura náutica no Brasil. Em Santa Catarina, a Marina Itajaí investiu R$ 200 mil para ampliar de 16 para 40 o número de vagas destinadas a jets, um avanço de 150% na capacidade de atendimento desse tipo de embarcação.
A expansão ocorre em um momento de avanço do segmento. Projeção da Fortune Business Insights citada pela empresa estima que o mercado global de motos aquáticas passe de US$ 1,35 bilhão em 2026 para US$ 2,59 bilhões em 2034. Caso a estimativa se confirme, o setor terá crescimento de quase 92% no período, com taxa média anual de 8,51%.
No Brasil, a frota já se aproxima de 150 mil motos aquáticas registradas, equivalentes a cerca de 13% das embarcações do país, segundo números da Marinha informados pela Marina Itajaí. A disseminação dos jets cria demanda não apenas para fabricantes e concessionárias, mas também para serviços de guarda, movimentação, manutenção e acesso à água.
A aposta da Marina Itajaí é justamente capturar uma parcela dessa expansão. Antes do investimento, as 16 vagas existentes eram reservadas a clientes que já mantinham outras embarcações no complexo. Com a nova estrutura, proprietários interessados exclusivamente na guarda de motos aquáticas também passam a ser atendidos.
“Percebemos que a moto aquática passou a ser, para muitos moradores da região, a primeira experiência de navegação”, afirma Carlos Gayoso de Oliveira, diretor da Marina Itajaí. Segundo ele, a expansão acompanha uma demanda identificada na operação e busca oferecer uma estrutura mais organizada para usuários frequentes.
Motos aquáticas ampliam a porta de entrada para o lazer náutico
A mudança no perfil do consumidor ajuda a explicar a decisão. Em comparação com embarcações maiores, motos aquáticas podem funcionar como uma alternativa inicial para quem pretende entrar no lazer náutico sem partir diretamente para barcos que exigem estruturas mais complexas de armazenamento e operação.
Para uma marina, porém, esse crescimento abre uma demanda própria. Guardar dezenas de unidades, movimentá-las com segurança e reduzir o tempo entre a retirada e a entrada na água exige equipamentos e processos específicos.
Na Marina Itajaí, a nova operação ocupa 37 m² e contará com empilhadeira exclusiva e guincho para colocação das motos aquáticas na água. O objetivo é atender tanto os clientes já vinculados ao complexo quanto proprietários que buscam apenas esse serviço.
A ampliação também diversifica a ocupação de uma estrutura que hoje reúne 405 vagas secas e molhadas para embarcações de diferentes portes. No entorno da operação náutica, cerca de 30 negócios oferecem serviços especializados, alimentação e outras atividades relacionadas ao setor.
Complexo amplia investimentos no entorno da marina
A expansão das vagas para motos aquáticas faz parte de uma transformação mais ampla no entorno do empreendimento. Entre os projetos em desenvolvimento está o Boulevard Marina Itajaí, anunciado como um complexo comercial de 38 mil m² e 78 operações.
A proposta é concentrar varejo, gastronomia e serviços em uma área ligada ao fluxo do setor náutico. Para a Marina Itajaí, a expansão dedicada aos jets acrescenta um perfil de consumidor que pode entrar no ecossistema por uma embarcação menor e, ao mesmo tempo, demandar serviços recorrentes de guarda e movimentação.
O investimento de R$ 200 mil é pequeno diante de grandes projetos de infraestrutura, mas responde a uma mudança concreta na composição da frota. Ao elevar de 16 para 40 as vagas, a marina mais do que dobra a capacidade dedicada às motos aquáticas e abre o serviço para clientes que antes não tinham acesso à estrutura.









