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Home Startups

Startup brasileira avança leveduras para turbinar biocombustíveis

Julia Alves Barreto por Julia Alves Barreto
03/03/2026
em Startups
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Foto: Getty Images

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A Bioinfood, startup criada em 2018 para desenvolver processos biotecnológicos, acaba de captar R$ 3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). O recurso vai para o desenvolvimento de leveduras com capacidade de melhorar a produção de etanol no Brasil. A tecnologia, que surgiu em laboratórios da Unicamp, promete aumentar o rendimento do biocombustível e reduzir os custos operacionais das usinas.

Gleidson Teixeira, cofundador da startup e geneticista, explica o diferencial da solução: a fermentação desenvolvida pela Bioinfood permite extrair mais etanol por quilo de cana-de-açúcar, em menos tempo e em condições mais adversas do que as leveduras convencionais suportam.

Como a tecnologia funciona na prática

A base do trabalho vem de uma patente da Unicamp. A Bioinfood entra com o aprimoramento científico e a expansão para ao menos três frentes: etanol de cana-de-açúcar, etanol de milho — que já representa cerca de 20% da produção nacional — e etanol de segunda geração, que reaproveita o bagaço da cana.

A tecnologia tem dois pilares. O primeiro é a eficiência: as leveduras produzem enzimas capazes de converter açúcares normalmente desperdiçados no processo convencional. O segundo é a robustez: os microrganismos suportam fermentadores de até 3 milhões de litros expostos ao calor e ao estresse da produção industrial. Em testes com um dos principais grupos de biocombustíveis do Brasil, a levedura BFY264 apresentou resultados acima da referência do setor, com maior viabilidade celular (+23%), mais brotamentos (+16%) e maior rendimento em etanol (+8,7%).

A Dra. Rosana Goldbeck, professora da Unicamp, celebra a parceria. Para ela, o projeto reforça a aproximação entre indústria, academia e startups e fortalece o papel da universidade no desenvolvimento de inovações com aplicação real no mercado.

Além do etanol, a Bioinfood já desenvolveu projetos fora do radar dos biocombustíveis. Em parceria com a SL Alimentos, maior processadora de aveia do Brasil, a startup criou uma tecnologia que transforma a casca do grão, antes descartada, em xilitol, um açúcar de baixas calorias. O projeto conquistou o título de tecnologia mais inovadora em sustentabilidade em uma feira do agronegócio.

Modelo de negócio, concorrência e próximos passos

A Bioinfood opera no modelo de “R&D as a service”: desenvolve soluções biotecnológicas sob demanda, da concepção à escala comercial. A proposta é reduzir o risco de inovar para o cliente. Empresas que terceirizam P&D podem economizar até 70% dos custos em relação a montar uma estrutura interna própria, segundo a startup.

No mercado de etanol, a Bioinfood concorre com multinacionais, mas não enfrenta nenhum competidor nacional. Teixeira aposta nessa lacuna como vantagem estratégica. “Não existe levedura brasileira nesse mercado hoje. Quando você começa a trazer inovação daqui, com relacionamento construído localmente, muda o jogo”, afirma. O principal obstáculo é a estrutura comercial já consolidada: concorrentes com poder para fechar contratos longos com as indústrias dificultam a entrada de novos players com tecnologia ainda em fase de validação.

Desde a fundação, a empresa aposta no financiamento público como parte central de sua estratégia. Nasceu a partir de uma aprovação no Programa de Inovação em Pequenas Empresas da FAPESP e avança agora com o novo aporte da FINEP. Os recursos vão para contratações, equipamentos, consumíveis e para a participação efetiva da Unicamp no projeto.

Com crescimento de 100% projetado para 2026, ante os 10% registrados entre 2024 e 2025, a Bioinfood quer expandir o laboratório, incorporar expertises em biologia sintética, bioinformática e inteligência artificial, e ampliar o time. A meta é crescer 50% ao ano até 2030 e se tornar o maior centro de avanço em deep techs para a bioeconomia no Brasil.

Para Teixeira, o desafio vai além do mercado. “Precisamos exportar nossa biotecnologia, não só importar. Temos capacidade de desenvolver aqui. O que falta é acreditar no desenvolvimento brasileiro”, conclui.

Tags: BiocombustívelBrasilLevedurasStartup
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