O mercado de trabalho formal brasileiro registrou uma desaceleração expressiva no ritmo de contratações. O país abriu 72.960 vagas com carteira assinada no mês de maio, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo, fruto de 2,2 milhões de admissões frente a 2,1 milhões de desligamentos, consolidou-se como o menor resultado mensal de 2026, quebrando o piso que havia sido estabelecido em abril, quando foram criados 79.526 postos.
O desempenho de maio acendeu o sinal de alerta devido ao forte recuo nas bases comparativas históricas. Em relação a maio de 2025, a geração de empregos despencou 52,3%, uma vez que o mesmo período do ano passado havia registrado a abertura de 153.108 vagas.
O resultado atual também representa o pior desempenho para um mês de maio desde 2020, ápice da crise sanitária da Covid-19, quando o fechamento generalizado do comércio e serviços resultou no fechamento de 398.
A perda de fôlego na atividade econômica também contaminou a leitura do primeiro conceito do ano. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil acumulou a criação de 767.326 empregos com carteira assinada. Trata-se do pior início de ano para o mercado formal de trabalho desde a pandemia, superando negativamente as janelas de janeiro a maio dos anos de 2021 a 2025.
Apesar da forte desaceleração do índice geral, todos os cinco grandes grupos de atividade econômica analisados pelo Ministério do Trabalho conseguiram encerrar o mês de maio no campo positivo, evitando uma contração líquida do estoque de empregos:
- Serviços: Segue como o principal motor de resiliência da economia, liderando o mês com a abertura de 45.655 postos.
- Construção Civil: Ocupou a segunda posição, impulsionado por obras de infraestrutura e incorporações, com 12.096 vagas.
- Agropecuária: Garantiu o terceiro melhor saldo do período, registrando a criação de 10.205 postos.
- Indústria: Teve uma participação modesta no resultado agregado, adicionando 4.974 postos de trabalho.
- Comércio: Registrou um desempenho virtualmente estagnado no mês, encerrando com um saldo marginal de apenas 40 vagas, refletindo a cautela do varejo diante das condições de consumo e crédito.








