A bolsa brasileira escreveu mais uma página em sua história nesta quarta-feira (11). O Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 190 mil pontos durante os negócios do dia, renovando o recorde intradiário em uma sessão marcada por forte apetite ao risco e fluxo de capital estrangeiro em direção aos mercados emergentes. Por volta das 13h40 (horário de Brasília), o índice subia 2,48%, aos 190.544 pontos.
O movimento foi liderado pelas ações de maior peso na carteira do índice. A Vale (VALE3) se destacou com alta de 3,70%, acumulando ganhos de mais de 24% apenas em 2026 — desempenho que supera com folga a valorização do minério de ferro no mercado internacional no mesmo período. A Petrobras também contribuiu de forma expressiva: as ações ordinárias (PETR3) avançaram mais de 3%, e as preferenciais (PETR4) subiram próximo desse patamar, impulsionadas pela divulgação, na véspera, dos dados de produção do quarto trimestre de 2025, que registraram crescimento de 19% — mesmo em um mercado de petróleo pressionado pelo excesso de oferta global.
Entre os destaques da sessão, Suzano (SUZB3) e TIM (TIMS3) figuraram entre as maiores altas do índice após a divulgação de resultados que agradaram ao mercado. A operadora de telefonia reportou lucro de R$ 4,3 bilhões em 2025, surpreendendo positivamente o consenso dos analistas e registrando crescimento inclusive no segmento de telefonia fixa.
O ambiente externo ajudou a sustentar o bom humor dos investidores. O relatório de empregos dos Estados Unidos referente a janeiro — o chamado payroll, divulgado com atraso por conta de uma paralisação temporária do governo americano — mostrou a abertura de 130 mil vagas, quase o dobro do que o mercado projetava. A taxa de desemprego recuou para 4,3%. Apesar da surpresa positiva, Wall Street operou próxima da estabilidade, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq sem direção definida após o dado.
Na China, a inflação abaixo do esperado reforçou as apostas em novas medidas de estímulo por parte de Pequim, o que animou os mercados asiáticos durante a madrugada. Na Europa, o desempenho foi misto, com destaque para a Heineken, cujas ações subiram após a divulgação dos resultados anuais de 2025 — embora a fabricante de bebidas holandesa tenha anunciado planos de demitir até 6 mil funcionários nos próximos dois anos diante de condições de mercado consideradas desafiadoras.
No câmbio, o dólar seguiu pressionado frente ao real, recuando 0,27% e sendo negociado abaixo dos R$ 5,18, refletindo o movimento de saída da moeda americana em direção a ativos de maior risco ao redor do mundo.









