O LawAgent, plataforma de inteligência artificial voltada ao mercado jurídico brasileiro, aposta em uma tese que vem ganhando força entre escritórios de advocacia: usar IA para acelerar análises e redações complexas sem perder o estilo técnico da banca.
A ferramenta foi criada para atender principalmente escritórios boutique de alto padrão, que lidam com peças sofisticadas, teses específicas e alto grau de personalização. Em vez de funcionar como um modelo genérico, a solução permite que cada escritório treine a IA com base no próprio acervo, incluindo teses, histórico de peças e jurisprudências.
A proposta é fazer com que a tecnologia absorva a linguagem, o raciocínio e o padrão técnico dos sócios e advogados, mantendo o chamado “DNA” do escritório em cada entrega.
IA jurídica com base no acervo do escritório
Na prática, o LawAgent pode receber informações de um processo e redigir petições, consolidar jurisprudência ou sugerir encaminhamentos processuais. Ao analisar uma decisão judicial, por exemplo, a ferramenta pode indicar o próximo passo e produzir uma minuta de recurso com base na legislação, jurisprudência atualizada e peças semelhantes já existentes no acervo da banca.
“O que levava uma semana passou a ser feito imediatamente. Não falo de tarefas triviais, mas de peças sofisticadas, de alto nível técnico, com pesquisa aprofundada na lei e na jurisprudência”, afirma Bruno Abreu, tributarista, sócio do Abreu Faria Advogados e cofundador do LawAgent.
A diferença em relação a soluções mais abertas está no grau de personalização. A plataforma não busca apenas gerar um texto jurídico correto, mas produzir documentos alinhados à forma como aquele escritório constrói argumentos, organiza fundamentos e apresenta teses.
Advogado continua responsável pela decisão final
Apesar da automação, a plataforma foi desenhada para manter o advogado no centro do processo. O modelo adotado é o Human-in-the-Loop, ou “pessoa no circuito”. Isso significa que a IA executa tarefas, mas nenhuma decisão final sai do sistema sem revisão, validação e autorização expressa de um profissional.
O advogado sênior analisa criticamente o conteúdo produzido, ajusta, complementa e libera a versão final. Segundo os criadores, esse desenho responde tanto a exigências técnicas quanto às normas éticas da profissão.
A ideia é usar a tecnologia para reduzir o tempo gasto com tarefas repetitivas, como revisão de minutas, organização documental e consolidação de jurisprudência. Com isso, o advogado pode dedicar mais tempo à estratégia do caso, à relação com o cliente e à análise de riscos.
Plataforma mira a advocacia de alto valor agregado
O LawAgent foi criado pelo administrador de empresas André Estrella, que vive em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e por Bruno Abreu, advogado tributarista baseado no Rio de Janeiro. Os dois são colegas de escola e desenvolveram a solução a partir de uma dor operacional observada no dia a dia de escritórios.
“O LawAgent nasceu de uma necessidade do dia a dia do meu escritório. Os advogados seniores passavam tempo demais em tarefas mecânicas — revisão de minutas, consolidação de jurisprudência, organização documental —, e pouco tempo no que realmente agrega valor ao cliente: a reflexão estratégica sobre cada caso. Não queríamos uma ferramenta genérica que descaracterizasse o trabalho, mas uma infraestrutura que aprendesse com o nosso repertório, respeitasse o DNA e operasse em padrões rigorosos de segurança e sigilo”, disse Bruno.
Para os fundadores, a tecnologia pode ajudar bancas menores e especializadas a ganhar escala sem comprometer a qualidade das entregas. Esse ponto é especialmente relevante em escritórios boutique, que costumam competir pela profundidade técnica e pelo atendimento próximo.









