Depois de oito anos operando como Neuralmed, a healthtech brasileira passa por uma virada estratégica e adota o nome level, em um movimento que vai além do rebranding e marca uma mudança profunda de posicionamento no mercado.
A empresa, que até então era reconhecida pelo desenvolvimento de tecnologias baseadas em dados para o setor de saúde, passa a se apresentar como uma infraestrutura de decisão voltada à geração de resultado financeiro para hospitais, operadoras e indústria farmacêutica, mudança que sustenta a expectativa de alcançar R$ 15 milhões em receita em 2026.
A transição ocorre após um processo interno de reestruturação iniciado em meados de 2025, quando a companhia revisou seu modelo de negócio, oferta e abordagem comercial. Naquele momento, a operação enfrentava baixo crescimento, com faturamento mensal abaixo de R$ 100 mil e uma base restrita de clientes. A partir de um redesenho completo, a empresa encerrou o ano com 36 contratos ativos, ante oito no início do segundo semestre, e passou a registrar crescimento médio de cerca de 30% ao mês.
“A gente entendeu que não faltava tecnologia na saúde, faltava resultado. Ou seja, o sistema está cheio de dados, mas sem capacidade de transformar isso em decisão que gere impacto financeiro. Foi quando a gente reposicionou tudo para atuar diretamente nessa camada”, comenta Anthony Eiger, cofundador e CEO da ex-Neuralmed, agora level.
A mudança de direção partiu de uma constatação recorrente dentro das instituições de saúde, de que grande parte das oportunidades de receita e eficiência permanece invisível na operação.
Segundo a empresa, mais da metade dos pacientes que realizam exames não retornam para etapas complementares, enquanto uma parcela significativa dos casos com alterações relevantes sofre atrasos no acompanhamento, afetando tanto o desfecho clínico quanto o desempenho financeiro das instituições. Nesse contexto, a level estrutura sua proposta como uma camada adicional de inteligência e estratégia aos sistemas existentes, capaz de organizar dados e direcionar ações com impacto direto no negócio. A empresa evita, inclusive, a classificação como uma fornecedora tradicional de tecnologia.
“A level não vende tecnologia. A gente atua como uma infraestrutura de decisão, que transforma a complexidade dos dados assistenciais em previsibilidade financeira e ação prática. É isso que permite que hospitais e operadoras deixem de operar de forma reativa”, diz Mariana Gaspers, cofundadora da level, que entrou na Neuralmed em 2025 e liderou a reformulação da estratégia de go-to-market e a virada para a nova marca.
Com passagem por grandes empresas de tecnologia, Gaspers trouxe uma abordagem mais orientada a negócio para a companhia, o que também se refletiu na forma de comercialização do produto. O ciclo de vendas, tradicionalmente longo no setor de saúde, foi reduzido de mais de seis meses para um intervalo entre 30 e 60 dias. Já o tempo de integração com sistemas hospitalares caiu para até dois meses, frente a prazos que podem chegar a um ano no padrão de mercado.
No fim, a mudança de posicionamento da marca ocorre em um momento em que o setor de saúde enfrenta pressão crescente por eficiência e sustentabilidade financeira, impulsionada pelo aumento de custos assistenciais e pela complexidade das jornadas de cuidado.
Nesse cenário, a aposta da level é que a capacidade de transformar dados em decisão, e decisão em resultado, deixe de ser um diferencial e passe a ser um requisito básico para a operação de hospitais, operadoras e indústria farmacêutica nos próximos anos. Para a empresa, capturar essa demanda significa ocupar uma nova camada estratégica dentro do sistema de saúde, ampliando seu mercado endereçável e sustentando um ciclo de crescimento baseado em contratos de maior valor e recorrência.









