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Home Economia

Split Payment muda rota do dinheiro e pode apertar o caixa das empresas

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
09/07/2026
em Economia
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A implementação do Split Payment abre uma nova frente de atenção para as empresas brasileiras. O mecanismo, previsto na Reforma Tributária, altera a forma como o dinheiro circula depois de uma venda ao separar automaticamente a parcela destinada aos tributos antes que o valor integral chegue ao caixa da companhia.

A mudança não cria um novo imposto, mas pode afetar diretamente a liquidez de negócios que hoje utilizam, ainda que temporariamente, os recursos correspondentes aos tributos como parte do capital de giro.

Atualmente, o valor total de uma venda entra primeiro na conta da empresa e os impostos são recolhidos posteriormente. Esse intervalo é conhecido como float tributário. Com o Split Payment, a parcela referente ao IBS e à CBS será segregada no momento da liquidação financeira.

Na prática, a companhia passa a receber apenas o valor líquido da operação.

“Empresas com alto volume de recebimentos ou operações parceladas podem sentir redução de liquidez, já que o valor do tributo será retido antes de chegar ao caixa”, afirma Gustavo Luiz Silva, head de Planejamento Financeiro da Trio.

Segundo ele, o efeito tende a ser mais relevante em negócios com prazos longos de recebimento, como operações estruturadas em 90 ou 120 dias.

Testes começam antes da cobrança efetiva

Em junho de 2026, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram, segundo o material divulgado pela Trio, o Manual de Integração e a documentação técnica da Plataforma Pública do Split Payment.

A fase inicial será voltada a testes e preparação dos sistemas. O recolhimento efetivo deve começar em 2027, com prioridade inicial para operações via Pix e boleto, conforme o cronograma apresentado pela empresa.

Para Gustavo Portugal Heinze, advogado especialista em Direito Tributário e sócio-fundador do GMP G&C Advogados Associados, 2026 será um período de adaptação tecnológica.

“O objetivo não é aumentar a arrecadação nem gerar impacto tributário imediato, mas homologar e testar toda a infraestrutura necessária para o funcionamento do modelo”, afirma.

Bancos e processadores passam a ter papel central

A separação dos valores não será feita diretamente pela empresa que realizou a venda. A execução caberá aos prestadores de serviços de pagamento, como bancos, adquirentes e instituições de pagamento.

Esses participantes precisarão integrar seus sistemas à plataforma pública e realizar a segregação automática dos recursos.

O processo exigirá comunicação entre emissão de notas fiscais, sistemas de gestão empresarial, bancos e processadores de pagamentos.

“A nota fiscal, o pagamento e a retenção tributária precisarão conversar em tempo real”, afirma Heinze.

Essa integração pode ampliar a pressão sobre empresas que ainda dependem de conciliações manuais, planilhas ou sistemas pouco conectados.

Será necessário identificar com precisão pelo menos três valores em cada operação: o total faturado, a parcela tributária retida e o montante efetivamente recebido.

Capital de giro entra no centro da preparação

A principal mudança financeira está no desaparecimento do intervalo em que o dinheiro dos tributos permanece dentro da empresa.

Para negócios que utilizam esse recurso no fluxo diário, a retenção automática pode exigir revisão de capital de giro, prazos de recebíveis e disponibilidade de caixa.

A preparação também inclui avaliar se bancos e processadores estão tecnicamente prontos para o novo modelo e adaptar ERPs e plataformas de conciliação.

“O Split Payment não cria um novo imposto, mas muda quem controla o dinheiro durante a transação”, afirma Silva.

Tags: CBSEmpresasFluxo de caixaIBSPixReforma Tributáriasplit payment
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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