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Home Meio Ambiente

Catadores e cooperativas movimentam mais de R$ 119 mil na cadeia da reciclagem em São Paulo

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
24/03/2026
em Meio Ambiente
A A
Divulgação / Ancat

Divulgação / Ancat

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Catadores e cooperativas foram protagonistas da operação do Bloco da Reciclagem 2026, realizada durante o período do Carnaval em São Paulo, que resultou na comercialização de 32,6 toneladas de materiais recicláveis e movimentou mais de R$ 119 mil na cadeia da reciclagem. A ação ocorreu ao longo de todo o calendário da festa, envolvendo o Pré-Carnaval (7 e 8 de fevereiro) — com atuação na região da Consolação — e os dias oficiais de folia (14 a 17 de fevereiro) e o Pós-Carnaval (21 e 22 de fevereiro) na região do Ibirapuera, demonstrando na prática o impacto econômico do trabalho dos catadores e o potencial da economia circular quando os materiais coletados retornam ao mercado reciclador por meio das cooperativas

A operação foi executada pela Ancat – Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis, em parceria com a Ambev e a Ecourbis – concessionária responsável pela coleta de resíduos em mais da metade da capital paulista, com apoio institucional da Prefeitura de São Paulo.

Protagonistas da operação, catadores e cooperativas foram responsáveis pela coleta, triagem e comercialização dos materiais, garantindo que latas de alumínio, PET, aparas plásticas e copinhos retornassem à indústria recicladora em vez de serem destinados a aterros. Os materiais foram vendidos para empresas e recicladores da cadeia produtiva, entre eles Novelis, Latasa e Hub do Plástico, permitindo que os resíduos recuperados sejam reinseridos no ciclo produtivo.

Todo o material coletado foi destinado à Coopere Centro, responsável pela operação inicial da ação, e à Casa do Catador, responsável pelas etapas seguintes e pela centralização da comercialização dos recicláveis.

Como resultado da comercialização dos materiais recicláveis, os recursos obtidos serão destinados às cooperativas participantes, fortalecendo sua estrutura e contribuindo diretamente para a geração de renda dos catadores e catadoras. Do total arrecadado, R$ 45.584,56 serão destinados à Coopamare, enquanto a Casa do Catador e a Cooperpoba terão R$ 28.771,32 cada. Já a Coopere Centro contará com R$ 16.813,24, totalizando R$119.940,44.

Os valores, provenientes da venda dos recicláveis recuperados durante a operação, permanecem na própria cadeia da reciclagem e ajudam a ampliar a renda dos trabalhadores que atuam diariamente na coleta, triagem e comercialização de materiais recicláveis na capital paulista.

Para Roberto Rocha, presidente da Ancat, os resultados mostram que a reciclagem também é uma atividade econômica estruturante nas cidades. “Quando os catadores e catadoras estão organizados em cooperativas e conectados ao mercado reciclador, a economia circular acontece de forma concreta. A comercialização de mais de 32 toneladas de materiais demonstra que a reciclagem gera renda, reduz impactos ambientais e fortalece quem está na base desse sistema”, afirma.

Para a porta-voz do Instituto Rede Catasampa, a experiência evidencia o papel central das cooperativas na estrutura da reciclagem urbana. “Os catadores são agentes ambientais fundamentais e também atores econômicos importantes na cadeia da reciclagem. Quando os materiais são comercializados pelas cooperativas, o valor gerado permanece dentro da própria rede de reciclagem”, destaca Bruna Cavalcante, presidente da Rede Catasampa.

Parte do material coletado foi destinado para o Hub do Plástico, iniciativa que conecta fornecedores de material reciclável e recicladoras. Dentre as empresas integradas ao Hub do Plástico, e que fizeram parte da iniciativa de reciclar os descartes do Carnaval, está a Cirklo, referência no Brasil e na América Latina em reciclagem de PET. Segundo o CEO Irineu Bueno Barbosa Junior, grandes eventos culturais funcionam como um teste para a gestão de resíduos no Brasil, apontando quais pontos precisam de melhorias. “Projetos como o Bloco da Reciclagem são a prova de que a integração entre catadores, cooperativas, entidades públicas e empresas recicladoras tem o potencial para vencer os gargalos logísticos da gestão do grande volume de resíduos recicláveis gerados em grandes eventos. Aqui temos a prova de que é possível criar soluções que promovem a verdadeira economia circular, reduzindo a poluição pelo descarte irregular de embalagens plásticas e gerando renda para cidadãos envolvidos na correta gestão logística dessas embalagens”, afirma o executivo.

Responsável pela coleta de resíduos domiciliares no Agrupamento Sudeste da cidade de São Paulo, área que reúne 19 das 32 subprefeituras da capital paulista, nas zonas sul e leste, a Ecourbis contribui à limpeza urbana de São Paulo retirando das ruas aproximadamente 7 mil toneladas de resíduos todos os dias, entre materiais recicláveis e lixo comum. A superintendente de Meio Ambiente da Ecourbis, Indiara Cardoso Guasti, destaca que tanto a coleta comum quanto a seletiva são realizadas em todas as vias do Agrupamento Sudeste, mas, infelizmente, muitas pessoas ainda descartam materiais de forma inadequada, ou sem respeitar os dias que cada serviço é prestado. “Acreditamos no poder transformador da educação e conscientização ambiental para que cada pessoa reflita e mude a postura em relação aos resíduos que gera. Para a Concessionária, fez todo o sentido apoiar a Ancat durante o período de carnaval, pois a iniciativa joga luz sobre a importância da reciclagem para o meio ambiente e tende a contribuir para mudar alguns hábitos das pessoas.”

O secretário municipal das subprefeituras, Fabricio Cobra, reforçou o papel social e ambiental do Carnaval na cidade. “Essa ação alia sustentabilidade, limpeza urbana e geração de renda, valorizando o trabalho dos catadores e contribuindo para um Carnaval mais consciente, com impacto positivo tanto para a cidade quanto para as pessoas envolvidas.”

A operação reforça o protagonismo dos catadores (as) e cooperativas como peças-chave para o funcionamento da economia circular em São Paulo e para o desenvolvimento de soluções sustentáveis de gestão de resíduos nas grandes cidades.

Participaram da ação as cooperativas Coopere Centro, Coopamare, Cooperpoba, Grupo Luz Divina e Casa do Catador, com parceria do Instituto Rede CataSampa e do Comitê da Cidade do MNCR – Movimento Nacional dos Catadores, do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua (MNLDPSR).

Tags: ESGMeio AmbienteMercadoNegóciosSustentabilidade
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