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Home Meio Ambiente

Tetiaroa registra recuperação histórica de caranguejos e aves marinhas

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
01/06/2026
em Meio Ambiente
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Com apoio do The Brando, resort privativo localizado no atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, o refúgio começa a registrar uma recuperação significativa de sua biodiversidade após anos de impactos causados por espécies invasoras. Os resultados fazem parte do Tetiaroa Atoll Restoration Program (TARP), iniciativa científica dedicada à restauração ecológica do atol por meio da erradicação de ratos invasores e de formigas-loucas-amarelas. Pesquisadores envolvidos no programa relatam avanços importantes na recuperação de populações de caranguejos terrestres e aves marinhas, espécies consideradas fundamentais para o funcionamento do ecossistema local.

No caso dos caranguejos, os cientistas Simon Ducatez e Jayna DeVore vêm documentando, desde 2021, o retorno gradual de espécies antes ausentes em motus invadidos por ratos. As populações estão crescendo e comportamentos naturais voltam a ser observados em áreas restauradas do atol.

Os caranguejos desempenham funções essenciais para a saúde de Tetiaroa. Caranguejos-violinistas ajudam na aeração do solo por meio de suas tocas. Caranguejos-eremitas e caranguejos terrestres marrons atuam na decomposição de matéria orgânica e reciclagem de nutrientes. Já os caranguejos-fantasma controlam algas e pequenos invertebrados nas praias, enquanto os caranguejos-coco exercem papel importante como predadores e dispersores de sementes.

Segundo os pesquisadores, a perda dessas espécies afeta diretamente todo o funcionamento ecológico do atol, pois são parte central da cadeia ecológica de Tetiaroa. Quando suas populações entram em colapso, o impacto se espalha por todo o sistema.

Para compreender melhor essa dinâmica, a Tetiaroa Society conduz atualmente um programa científico dedicado a estudar os efeitos da ausência de caranguejos terrestres sobre o ecossistema do atol. O monitoramento realizado em Tetiaroa inclui expedições de campo em diferentes motus, muitas vezes durante a noite, quando os caranguejos estão mais ativos. Os animais são capturados, medidos, pesados, identificados e devolvidos ao ambiente para acompanhamento de longo prazo das populações.

Além dos avanços observados entre os caranguejos, os dados mais recentes do TARP também apontam uma recuperação acelerada das aves marinhas após a remoção das espécies invasoras. Em 2024, foram monitorados 460 ninhos de trinta-réis-brancos, com taxa de 77% de sucesso na eclosão dos ovos e 90% de sobrevivência dos filhotes até o voo. O número de ninhos em motus livres de ratos é atualmente 2,6 vezes maior do que em áreas anteriormente invadidas.

Entre os noddies marrons, os pesquisadores registraram 502 ovos monitorados em 2024 e um aumento de 2,8 vezes no número de ninhos apenas um ano após o controle das formigas-loucas-amarelas. Atobás-marrons também voltaram a ocupar motus antes abandonados.

As aves marinhas desempenham papel estratégico para o equilíbrio ambiental do atol. Seus dejetos enriquecem o solo com nutrientes que alimentam a vegetação, sustentam populações de caranguejos e contribuem para a produtividade dos recifes de coral e dos ecossistemas marinhos ao redor do atol.

Desde 2018, o TARP atua na restauração dos habitats nativos de Tetiaroa. Desde 2022, o programa também intensificou ações de combate às formigas-loucas-amarelas, consideradas uma das maiores ameaças às colônias de aves marinhas do Pacífico.

Atualmente, mais de 500 ninhos ativos são monitorados em nove motus do atol. Somente em 2024, mais de 200 filhotes conseguiram deixar os ninhos em segurança graças às ações de restauração e ao trabalho de pesquisadores e voluntários envolvidos no programa.

Os resultados da recuperação ecológica de Tetiaroa também foram reunidos em vídeos e documentários produzidos pelo programa, incluindo o The Living Laboratory: Seabird Restoration, que apresenta os bastidores das pesquisas de campo e o impacto da restauração sobre o ecossistema do atol. Para acessar os vídeos, clique nos links: vídeo aves marinhas e vídeo caranguejos.

Tags: ESGInvestimentosMeio AmbienteNegóciosSustentabilidade
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